6 dicas para sua empresa de logística crescer na crise.

Por que as PME’s de logística estão em alta?
Escrito por Arnaldo Vhieira, especialista em estratégia de negócios

 

Todas as vezes que ligo o rádio do carro, assisto a telejornais ou leio notícias do cotidiano em mídia impressa ou pela internet, um tema paira no ar: a recessão econômica do país e suas consequências em diversos setores da sociedade. PIB (produto interno bruto) em queda, inflação e taxas de juros em alta, desemprego em ascensão, consumo em baixa e nível de confiança de investimento abalado, são reflexos de uma crise político-econômica instalada.

 

A complexidade do monitoramento deste cenário está na agenda diária dos empreendedores e, porque não dizer, de cidadãos comuns preocupados com a sobrevivência de empresas e de seus familiares.

 

A solução para os problemas, que acontecem em decorrência dessa situação, não é uma equação exata. Requer poder de raciocínio para analisar os ambientes, controlar gastos, ganhar eficiência na gestão de custos, no gerenciamento financeiro e cautela para investimentos. Ficar parado ou se movimentar pouco, parece a resposta adequada para muitos, inclusive empreendedores.

 

Sou bastante realista e, não apenas como bom estudioso do mundo nos negócios, mas, sobretudo um cidadão, sei que a situação pode agravar-se. Apesar dos “bombardeios” de notícias negativas, entendo que nem tudo é ameaça. Temos também as oportunidades, pois nesse momento de crise, as PME´s da área de logística estão em alta.

 

Quero aqui, portanto, explicar: diante de um momento de instabilidade econômica, as empresas de grande porte passam a revisar seus custos e produtividade, e focam nas atividades fim de sua produção, terceirizam e compartilham as atividades meio, como o estoque de seus produtos e, principalmente, o transporte e a entrega aos distribuidores e consumidores finais.

 

Ao terceirizar essas atividades, as empresas ganham um know-how dos pequenos operadores em determinados mercados, que transformam os custos fixos em despesas operacionais. Ao compartilhar suas estratégias, criam uma rede colaborativa entre grandes, médias e pequenas empresas, o que pode garantir a sustentabilidade da área.

 

Sempre afirmo que não existe receita mágica no mundo dos negócios e, diante desse novo cenário, caso você seja um pequeno ou médio operador logístico, deixo algumas dicas para sua ascensão nesse momento de crise, com objetivo de se tornar parceiro de uma grande empresa que busca implantar tais estratégias e ganhar mais eficiência nos processos produtivos e retorno financeiro.

 

1. Crie valores pautados na excelência da qualidade dos serviços: supere as expectativas dos clientes. A maioria das grandes empresas é certificada nos processos de gestão da qualidade e buscam parceiros com a mesma filosofia organizacional. Qualidade nos processos logísticos está atrelada aos baixos custos e aumento da produtividade.

 

2. Tenha uma visão sistêmica de toda área de logística: compreenda as inter-relações existentes na cadeia de suprimentos. Tal visão gera confiança entre a empresa contratante e você, o prestador de serviço.

 

3. Diversifique a prestação de serviços: adote diferentes modais de transporte para superar os obstáculos na entrega dos produtos. A maioria das grandes empresas está localizada nos grandes centros urbanos e não é segredo que a infraestrutura viária em nosso país é precária.

 

4. Utilize a tecnologia da informação como aliada para soluções sofisticadas e otimizadas em seus processos, seja no estoque de produtos ou no gerenciamento e roteirização da frota e dos serviços de entrega.

 

5. Treine sua equipe para que o atendimento ao cliente seja qualificado. Investir na formação de seus colaboradores é uma preparação para crescimentos futuros.

 

6. Esteja disposto a ouvir e estreitar um bom relacionamento com seu contratante. Empresas de grande porte acreditam que uma parceria é concretizada quando os valores são compartilhados entre cliente e fornecedores.

 

Todas as dicas citadas devem ser complementadas com inovação, criatividade, harmonia relacional e, sobretudo, competências para analisar de forma criteriosa como resolver a equação, superar a crise e aproveitar as oportunidades que a mesma oferece às PME´s.

 

Lembre-se ainda: a área de logística movimenta anualmente cerca de 11,5% do PIB do Brasil, portanto, seja otimista para alcançar as oportunidades e menos pessimista para não se apegar as ameaças. 

Arnaldo Vhieira é coordenador do curso de logística da FMU.